Jobim diz que Forças Armadas estão prontas para agir como polícia nas fronteiras
[O general GENÉRICO Jobim está equivocado quando restringe a atuação das Forças Armadas apenas nas fronteiras.Entre as atribuições fas FF AA, especialmente do Exército, está o controle de armas restritas as Forças Armadas e tal função PODE e DEVE ser exercida em qualquer ponto do território nacional e nada impede que em uma ação de controle de armas seja constatada a presenção de drogas e diante de um fato criminoso QUALQUER DO POVO PODE e é DEVER do MILITAR FARDADO efetuar a prisão do infrator.Portanto, vamos coloquem as Forças Armadas para buscar armas ilegais e encontrarão drogas.]O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta sexta-feira que Marinha e Aeronáutica estão preparadas para atuar como
polícia nas regiões de fronteira, como pretende o governo, e que isso aconteceria na ausência de policiais.
Se por acaso não tiver nenhum policial civil ou federal, Aeronáutica e Marinha poderão fazer o flagrante - explicou Jobim a jornalistas no Rio de Janeiro.
A proposta de mudança na Lei Complementar 97, que regulamenta parte das atribuições das Forças Armadas está na Casa Civil e, segundo o ministro,
"já está tudo definido e revisado pelo presidente da República, só falta enviar ao Congresso". Jobim, no entanto, não deu prazo para esse envio.
O ministro lembrou que em 2004 uma outra lei já deu força de polícia para o Exército atuar nas divisas do país.
- O Exército já pode fazer patrulhamento, revistas e prisões em flagrante suplementando o trabalho da Polícia Civil nestas regiões - disse o ministro, que destacou que fora de áreas de fronteira, as Forças Armadas podem apenas atuar na garantia da lei e da ordem.
[ministro JOBIM, leia o Código de Processo Penal, tanto o civil quanto o militar, e o senhor vai encontrar a determinação que QUALQUER DO POVO PODE e que o MILITAR FARDADO DEVE prender alguém em flagrante delito.]
Jobim destacou que o narcotráfico utiliza frequentemente canais marítimos e aéreos e é preciso dar agilidade às Forças Armadas neste combate. Pela legislação atual, uma aeronave da FAB, por exemplo, pode interceptar um avião a serviço do narcotráfico, mas, na ausência de policiais federais no momento do pouso da aeronave, os militares da Aeronáutica não têm competência legal para efetuar revistas e a prisão em flagrante. O mesmo ocorre com embarcações da Marinha nas águas jurisdicionais brasileiras.
Se aprovada a proposta do Ministério da Defesa, Marinha e Aeronáutica também poderão fazer revistas e efetuar prisões em flagrante.
Gilmar Mendes aprova a mudança
Separadamente, durante evento num presídio do Rio, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, também avaliou a mudança como
"uma boa iniciativa". Ele pediu maior integração entre as forças de segurança no combate ao crime.
- Talvez o Brasil tenha que deixar de tratar este tema de forma compartimentada. Há uma crise nesta área, que acaba sempre respingando nas autoridades locais. A droga vem de fora, há um grande problema nas fronteiras, há um problema de policiamento. As Forças Armadas têm condições de monitorar as fronteiras. Por que não há algum tipo de integração? É preciso que haja um sistema integrado - afirmou o ministro, durante o encerramento do 4º Mutirão Carcerário.
Para o presidente do STF, não é possível delegar somente aos estados a responsabilidade de combater o crime organizado. Segundo Gilmar, isso seria "simplificar e não resolver o problema". Gilmar acredita que os militares já têm capacidade instalada nas fronteiras e podem ajudar diretamente no combate ao crime.
- As Forças Armadas têm determinadas expertises, como controle de fronteira. A Aeronáutica dispõe do controle do espaço aéreo, já existe a lei que permite o abate de aeronaves. Era possível ter um tipo de ação concertada (articulada), entre esses vários órgãos e setores das Forças Armadas, que certamente poderiam trabalhar em questões relevantes de seguranças pública - disse.
Diretor-geral da PF acha proposta temerária
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, porém, classificou como temerário dar poder de polícia para as Forças Armadas. Segundo ele, não se trata de "uma visão corporativa", mas os papéis de cada poder devem estar bem definidos na Constituição.
- Não se pode confundir segurança externa com segurança interna. O que se procura é uma policia em que tenhamos capacidade de força, mas em que se tenha como regra de atuação a proximidade, a relação com o cidadão, baseada em inteligência e análise criminal. Jamais com o conceito de força e imposição - afirmou Corrêa, após palestra no 4º Congresso Nacional dos Delegados da Polícia Federal, em Fortaleza.
Ele destacou ainda que a discussão principal com relação a essa questão é de conceito, não de preparação, já que os militares poderiam ter treinamento para a repressão de crimes comuns.
Já o diretor de prerrogativas da Associação dos Delegados de Polícia Federal, Marcos Leôncio Souza Ribeiro, vê a mudança com bons olhos. Em entrevista à Rádio CBN, ele disse que a "atuação em caráter complementar, de colaboração, será muito bem-vinda, principalmente me questões de fronteira e em alguns centros urbanos".
O ministro da Justiça, Tarso Genro, também disse ser favorável às mudanças propostas para a Lei Complementar 97. Para Tarso, há situações práticas que justificam a mudança na lei.
- Um exemplo é quando a Aeronáutica ou a Marinha apreendem um barco no rio na fronteira do país. A autoridade militar hoje não tem condições de fazer um procedimento policial. Seria uma operação apenas de guarda de fronteira. Se aquelas pessoas estão carregando cocaína, elas têm que ser presas pela autoridade, seja ela qual for.
Ainda segundo Tarso, a atuação de Forças Armadas na segurança pública não afetará as funções das polícias,
"apenas será preenchido o vácuo, na ausência dos policiais, principalmente em áreas de fronteira na Amazônia"